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“Nem-nem” cresceu: Brasil tem mais jovens que nem trabalham nem estudam

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Um levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a CUT, mostra que 25,5% dos jovens, entre 15 aos 29, anos estavam fora do mercado de trabalho e sem estudar em 2020. Por isso são chamados ‘nem-nem’: nem trabalham nem estudam. Em 2018, o índice era de 23,6% e, em 2019, passou para 24% .

Segundo a jovem vice-presidenta do Sindicato dos Comerciários, Amanda Santos, é reflexo da crise econômica, agravada pela pandemia e a falta de um plano de desenvolvimento do governo federal. “Faltam políticas públicas para os jovens. O governo Temer fez a reforma trabalhista dizendo que ia gerar empregos. Bolsonaro e Paulo Guedes fizeram novas mudanças na legislação com a mesma tese. E nada”, afirma.

Para a sindicalista, os resultados foram mais desemprego e retirada de direitos. “É justamente nesse período que número de jovens ‘nem-nem’ cresceu. Por isso, é importante projetos como o Banco de Empregos para a Juventude, do vereador Solon e que tem a vereadora Wilma como relatora”, destaca.

GÊNERO, RAÇA E PANDEMIA

A situação fica pior quando se trata de gênero e raça. No 4º trimestre do ano passado, o índice chegou a 31,29% para mulheres, contra 19,7% dos homens. Quanto a raça, a maior parte (57,5%) dos ‘nem-nem’ é de jovens negros, ante 21,26% de brancos. A maioria está concentrada na faixa etária de 20 a 24 anos, com 31,51%. Entre 15 e 19 anos, são 14,74%.

O estudo mostra que a pandemia causou impacto no mercado de trabalho para os jovens: subiu de 49,37% em 2019 para 56,34% em 2020. Os dados têm base na Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad-Contínua), realizada pelo IBGE.

MENOS JORNADA, MAIS EMPREGO, MAIS EDUCAÇÃO

Diante desse quadro, o economista da FGV, Marcelo Neri, aponta como uma das alternativas a redução de jornada de trabalho para que os jovens pudessem dedicar mais tempo à formação. Assim, mais vagas seriam criadas para mais pessoas nessa faixa etária.

Segundo Amanda Santos, a redução da jornada de trabalho, sem redução de salário, é uma luta do movimento sindical. “Ao lado disso, tem que ter política de crescimento econômico para absorver mais pessoas no mercado de trabalho. As tecnologias já permitem essa redução sem prejudicar os lucros. Os jovens teriam emprego e tempo para estudar e se qualificar”, enfatiza.

Um país como o Brasil precisa de desenvolvimento com valorização do trabalho. Nossos jovens merecem emprego decente, educação de qualidade e uma vida digna e rica em cultura, esporte e lazer. Ser “nem-nem” não é culpa de quem já cresceu e está pronto para encarar as oportunidades que surgirem.

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