O presidente Lula (PT) ganhou reforço importante na luta contra os efeitos nocivos que as apostas online (bets) estão produzindo na saúde mental do povo brasileiro: os torcedores dos times. O debate se tornou de grande interesse público após o petista se posicionar contra jogos que estão viciando jovens, adultos e idosos.
A polêmica cresceu após os clubes de futebol lançarem um posicionamento absurdo de que seria “o fim do futebol brasileiro”. Em notas divulgadas na semana passada, lideranças de torcidas, entidades de torcidas organizadas e outras associações ligadas a times como Vasco da Gama, Flamengo, Palmeiras, Santos, Botafogo, Remo e Sport repudiaram o tom alarmista das diretorias e defenderam o fim das apostas no esporte.
“Precisamos colocar o torcedor no centro desse debate. Estamos falando de famílias, de trabalhadores e de pessoas que muitas vezes comprometem renda, patrimônio e até relações familiares por causa de apostas. Não podemos tratar isso apenas como uma questão de patrocínio ou de receita para os clubes”, disse a torcedora do Botafogo Hericão Amaral, presidente da Torcida Fogoró. Para ela, o futebol “não pode se tornar dependente de uma atividade que tem como consequência a perda financeira de milhões de pessoas”.
BOAS PARA QUEM?
Segundo o “Dossiê das Bets“, cada bet gera, em média, apenas 19 empregos diretos. Trata-se de uma cadeia (im)produtiva que, a cada R$ 291,00 faturados, retorna apenas R$ 1,00 em forma de salário, conforme levantamento do IEPS divulgado pela NSC Total. Para efeito de comparação, esses mesmos R$ 291,00 faturados em um supermercado retornam de R$ 17,46 a R$ 34,92 em salários de equipe, segundo a Associação Brasileira de Supermercados.
Lula tem afirmado que o futebol brasileiro viveu seus melhores momentos, de seleção e de clubes, quando não havia bets. Um levantamento do perfil estatístico Portal 91 apontou que 88% das manifestações de torcedores nas redes sociais criticaram a posição dos clubes.
“O torcedor também começa a enxergar uma contradição: de um lado, os clubes dizem precisar cada vez mais do dinheiro das apostas; do outro, existe um modelo de negócio baseado justamente na perda financeira do apostador. E quem é esse apostador? O próprio torcedor”, disse Hericão Amaral.
Presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), Claudinho do Espírito Santo diz: “Quem já teve a família destruída ou profundamente afetada pelo vício de um familiar sabe a dor e as consequências que essa situação pode causar. Não estamos falando apenas de números ou estatísticas, mas de pessoas, famílias, endividamento, conflitos e sofrimento.”
O coletivo Palmeiras Antifascistas (P16) rebateu a alegação dos clubes. O grupo apresentou dados do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS): os danos sociais associados ao jogo somam R$ 38,8 bilhões anuais, além do prejuízo de R$ 143 bilhões calculado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) sobre o setor comercial.
Diante do cenário, a Anatorg defendeu as soluções passem por projetos educativos, sociais e esportivos voltados às arquibancadas e às categorias de base, envolvendo torcedores, clubes e a comunidade do futebol. A entidade diz que possui propostas para proteger os apostadores e estabelecer responsabilidade social em torno do setor, colocando-se à disposição para dialogar com autoridades do governo, órgãos de fiscalização e entidades esportivas.
com informações da Revista Fórum e Brasil de Fato
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