Durante a campanha eleitoral no Brasil, candidatos da extrema direita defendiam que o Brasil tivesse como modelos as políticas aplicadas na Argentina e no Paraguai, e que muitos empresários deveriam ir para esses países. Agora, se vê a crise que levou o presidente paraguaio Santiago Peña renunciar por conta da quebra de um banco que afetou a economia do país vizinho.
A crise afetou também a vida de brasileiros que moram lá. O portal g1 conversou com um empresário que perdeu mais de R$ 200 mil, uma cambista que ficou sem o dinheiro que economizou para as férias e um dono de oficina que ficou sem capital de giro.
O banco digital Ueno, que tinha cerca de 3 milhões de clientes (aproximadamente 60% da população adulta) foi liquidado pelo Banco Central do país. O rombo tem origem em empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio banco, que comprometeram seus recursos e deixaram milhares de clientes sem acesso ao dinheiro. Dois dias depois, nesta quinta (5), o presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia ao cargo.
BRASILEIROS
Um dos prejudicados é Marcelo Bernard, 26 anos. No Paraguai há dois anos e dono de uma oficina em Presidente Franco, ao lado da Tríplice Fronteira, ele perdeu parte do dinheiro que estava no ueno: 5 milhões de guaranis (R$ 4,5 mil). “Há um clima de forte revolta e raiva direcionado ao presidente e aos políticos do país. Por ser uma sociedade conservadora e firme, as pessoas exigem punição rigorosa aos responsáveis”, contou.
Pedro Treméa, 61 anos, tem uma empresa de refrigeração em Ciudad del Este. Ele contou que o valor perdido no banco foi maior do que o valor coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), o FGC paraguaio, que cobre até 228,3 milhões de guaranis por pessoa e por instituição financeira, aproximadamente R$ 200 mil. Quem tinha valores acima desse teto poderá depender do processo de resolução do banco para tentar recuperar o dinheiro.
Dalma Morinigo, de 31 anos, mora há quatro anos em Ciudad del Este e trabalha em uma casa de câmbio. Ela tinha o correspondente em guaranis a mais de R$ 7 mil depositados no ueno, e planejava usar o valor para as férias de fim de ano.
com informações do g1
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