Não dá outra essas histórias de heróis de última hora. Quando os fatos começam a ser revelados, as máscaras caem. Apuração da Revista Fórum revela uma conexão entre contratos sem licitação feitos pelo Instituto Iter, criado por André Mendonça, e o caso Master, de Daniel Vorcaro, pivô de um dos maiores escândalos financeiros da história do país.
O prefeito de São Roque entre 2021 e 2024 e reeleito para um segundo mandato, Guto Issa (PSD), é o elo. Durante sua gestão em 2024, o São Roque Prev, instituto de Previdência municipal, destinou cerca de R$ 93 milhões em sete aplicações em letras do Banco Master. As operações foram realizadas durante a gestão de Vanderlei Massarioli, nomeado para comandar a autarquia.
Em abril, o Fórum Investiga aprofundou a apuração após revelar a existência de 55 contratos públicos, 54 deles firmados sem licitação, que resultaram em R$ 10,8 milhões ao Instituto Iter. Nesse meio tempo, houve ainda a revelação da reunião entre André Mendonça e Daniel Vorcaro no escritório do Iter em São Paulo.
Já em 2025, Issa assumiu a presidência do CIOESTE, consórcio que reúne municípios da região Oeste da Grande São Paulo. Meses depois de um encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro na sede do Instituto Iter, em São Paulo, o CIOESTE firmou contrato de R$ 1.228.505,55 com o instituto criado pelo ministro para ministrar cursos e palestras na Escola de Governo do consórcio. O contrato foi firmado sem prévia licitação.

ARGUMENTOS
A Fórum contatou os envolvidos, incluindo André Mendonça e Guto Issa, que não retornaram até o fechamento da reportagem. O São Roque Prev informou que “adquiriu letras financeiras do banco em 2024 seguindo os ritos legais e técnicos” e que acompanha “os desdobramentos das operações envolvendo o Banco Master”.
O Instituto Iter afirma que o contrato com o Cioeste não teve “qualquer participação, indicação ou ingerência do Ministro André Mendonça” e que a negociação “não guarda nenhuma relação com Daniel Vorcaro, com o Banco Master ou com quaisquer fatos a eles atribuídos”. Mendonça deixou a sociedade no Iter após a Fórum revelar R$ 10,8 milhões em 55 contratos públicos, sendo que 54 deles foram firmados sem licitação. Leia as notas ao final da reportagem.
com informações da Revista Fórum
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