O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) denunciou três policiais militares envolvidos na execução de Alex Vila Nova Santos, de 24 anos, nesta última terça-feira (18). O crime ocorreu em setembro de 2022, na cidade de Mucuri, no litoral sul do estado. O Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp) acusa os agentes Arthur Garcia dos Santos, Wilton Gomes de Souza e Winder dos Santos de homicídio qualificado por motivo torpe contra uma vítima rendida e sem chance de defesa.
Nesse sentido, o órgão estadual solicitou a prisão preventiva dos acusados e pediu que o Tribunal do Júri julgue os agentes pelo assassinato. A denúncia requer também a condenação dos envolvidos, a perda imediata dos cargos públicos e a reparação financeira pelos danos causados aos familiares da vítima.
DINÂMICA DA ABORDAGEM E CRIMES CONEXOS
Segundo as investigações, a equipe policial abordou Alex no dia 8 de setembro de 2022, enquanto ele andava de bicicleta pelo bairro Aroeira. Os agentes algemaram o rapaz e o colocaram na viatura oficial, mantendo-o sob custódia exclusiva da guarnição. Desde aquele momento, o jovem desapareceu sem deixar rastros e a polícia nunca localizou o seu corpo.
Simultaneamente, o MPBA encaminhou as denúncias sobre os crimes de ocultação de cadáver, peculato e fraude processual à Justiça Militar. Os promotores consideram esses delitos como ações conexas ao homicídio, executadas exclusivamente com o objetivo de dificultar a responsabilização criminal do grupo.
Em seguida, os militares criaram uma narrativa falsa para justificar o sumiço do detido. No dia posterior à abordagem, os policiais registraram um boletim de ocorrência na delegacia local e informaram oficialmente que o jovem havia fugido.
FALSIFICAÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA TÉCNICA
Posteriormente, os acusados utilizaram um aparelho celular, apreendido em outra ocorrência, para enviar mensagens à ex-companheira da vítima. O grupo tinha a intenção de simular que o rapaz havia saído da cidade por vontade própria, contudo, as análises de dados telefônicos identificaram a conexão direta entre o telefone usado no crime e um dos denunciados.
O laudos periciais, análises telemáticas e a reprodução simulada dos fatos evidenciaram graves contradições na versão apresentada pelos membros da corporação. As autoridades investigativas não encontraram nenhum registro ou evidência que comprovasse a suposta fuga, confirmando que a vítima permaneceu sob o domínio da guarnição militar até a sua execução.
Com informações do Atarde
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