Se passaram 98 dias depois do candidato a presidente Flávio Bolsnaro (PL) prometer prestar contas sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Fato é que ele ainda não apresentou publicamente uma explicação detalhada sobre os recursos envolvidos na produção.
A promessa foi feita no dia 19 de maio, após a divulgação de áudios que mostraram o senador pedindo R$ 61 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master, para viabilizar a produção. Mas, Flávio Bolsonaro seguiu mentindo sobre a relação com o banqueiro, que enviou efetivamente 10 milhões de dólares ao fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, operador financeiro do irmão Eduardo Bolsonaro nos EUA.
O candidato da extrema-direita passou a apresentar justificativas: primeiro, a necessidade de esclarecer a relação com o banqueiro; depois, a afirmação de que se tratava de uma operação privada; mais tarde, a promessa de abrir as contas; e, agora, a declaração de que a prestação já teria sido feita dentro da investigação.
FLÁVIO DINO AUTORIA PF A INVESTIGAR
Relator do inquérito sobre o chamado Orçamento Secreto no STF, o ministro Flávio Dino autorizou, nesta segunda (24), que a Polícia Federal tenha acesso aos dados da investigação conduzida pela polícia de São Paulo sobre o filme Dark Horse.
Os dados foram coletados durante uma investigação que envolve a Go Up Entertainment, produtora do filme de Bolsonaro, e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), ambas ligadas a Karina Ferreira da Gama. Ela recebeu cerca de R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares de vereadores, deputados estaduais e federais, entre eles Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo do filme.
Além disso, o ICB recebeu R$ 108 milhões da prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes, para implantação de 5.000 pontos de Wi-Fi em comunidades da capital paulista, prestando um serviço inconsistente e que também é alvo de investigação.
DINHEIRO PÚBLICO ?
Por esses fatos, Flávio Dino autorizou a PF a investigar a destinação de emendas parlamentares ao ecossistema de ONGs comandado por Karina Gama, que pode ter sido a intermediadora de dinheiro público que supostamente teria sido usado para produzir Dark Horse.
Assim, cai por terra a justificativa de Flávio Bolsonaro de que os milhões de Daniel Vorcaro teria sido usados para o mesmo fim: financiar o filme sobre o pai.
com informações da Revista Fórum
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