A RegiãoDestaquesPolítica

Vereadora Wilma destaca papel da Câmara no combate ao racismo

0

Estudantes, professores, funcionários públicos e religiosos de matriz africana marcaram presença na audiência pública em homenagem ao Dia da Consciência Negra, realizada na sexta (19), pela Câmara de Vereadores de Itabuna. Proposto pela vereadora Wilma de Oliveira (PCdoB), o evento indicou como caminhos para combater o racismo a educação e o tratamento das demandas da população.

“A maioria pobre é negra, a maioria sem acesso a estudo, os piores trabalhos são para os negros. Portanto, isso não é natural. É por isso que estamos aqui. Dessa Casa podem sair projetos para mudar a vida do nosso povo. Essa é uma data importante pro Brasil. Não podemos falar em relações melhores sem tratar do racismo estrutural”, comentou a parlamentar.

Convidado da Câmara, o professor Gabriel Nascimento, doutor em Linguística e docente da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia), citou os resquícios do passado escravocrata, inclusive no sul da Bahia. “Aí estão as dificuldades dos afrodescentantes no acesso aos estudos e a determinados postos de trabalho. Nossas mães, trabalhadoras domésticas, passaram a viver pelo trabalho em troca de comida; nossos jovens, muitas vezes, ajudantes de pedreiro não assalariados. É uma pauta encarada de frente pela população negra; é importante para explicar o acesso à universidade pela lei de cotas, a necessidade de políticas para efetivar direitos”, pontuou.

MAIS ESPAÇOS

O presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, historiador Egnaldo França, destacou a importância da luta por ações afirmativas. “Nosso povo precisa entrar na universidade, no mercado de trabalho. Eu fiz parte da primeira turma de cotistas da Uesc e uma pesquisa provou que, durante dez anos, alunos cotistas tiveram melhores notas do que não cotistas”, exemplificou.

Para a professora doutora Jeanes Larchert, da Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz), é relevnte ter espaço para o público afro – mais de 70% dos itabunenses. “Na saúde, por exemplo, a anemia falciforme é mais comum em pessoas negras. Como está o atendimento a elas nas unidades de saúde? Precisamos fazer com que essa sociedade seja nossa, e não dos outros. A população afrodescendente não tem os direitos que lhe são devidos, assim como a população branca tem”, assinalou.

Em tom crítico, o babalorixá Lula Dantas, da ACAI (Associação do Culto Afro Itabunense), disse que as políticas afirmativas continuam no campo da teoria no município. “A consciência pode ser de todas as cores, mas não pode deixar de ser negra. Porque negro é a cor das pessoas que estão nas cadeias, desempregadas, passam fome”, enfatizou.

A audiência foi acompanhada pelos vereadores Cosme Resolve (PMN) e Manoel Porfírio (PT). No encerramento, a banda Negras Perfumadas deu um show de percussão com músicas pelo empoderamento feminino e combate ao racismo.

Com informações da Câmara Municipal

Compartilhe no WhatsApp

Se liga nas vagas do CIEE para estágio de nível superior em Itabuna, Ilhéus e Jequié

Previous article

Presidente sanciona lei que estabelece pagamento do vale-gás

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *