Produtores de cacau da Bahia realizaram, nesta quarta (28), um protesto no Porto de Ilhéus contra o aumento das importações de amêndoas da África, especialmente da Costa do Marfim. Além do cenário de queda nos preços internacionais do produto, o o setor aponta riscos sanitários, distorções comerciais e prejuízos à cadeia produtiva nacional, com deságio de até 30% nos preços pagos aos cacauicultores brasileiros.
Segundo o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Guilherme Moura, há indícios de formação de estoques e controle de preços no mercado interno. “O prazo entre importar cacau e exportar o derivado é de dois anos, é muito dilatado. Queremos verificar se esse mecanismo está sendo usado como instrumento de formação de estoque, para controlar preço e o apetite para compra de cacau”, afirmou.
Dados do setor indicam que, em 2025, as importações brasileiras de cacau chegaram a 112,8 mil toneladas, ante 96,6 mil toneladas no ano anterior. Os portos da Bahia concentraram a maior parte da entrada do produto, com quase 70 mil toneladas.
Os produtores baianos apontam suposta formação de cartel as indústrias processadoras na compra do produto nacional e afirmam que levarão o caso ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo a Faeb, as empresas têm aplicado um deságio equivalente a cerca de um terço do preço efetivo da amêndoa. A entidade diz que, há um ano, a arroba do cacau era comercializada a cerca de R$ 1 mil, e hoje está abaixo de R$ 300. Sobre esse preço, ainda incidem descontos médios de aproximadamente R$ 100.
com informações de o Globo Rural
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