O mundo aguardava com expectativa as falas dos presidentes Lula (PT), do Brasil, Donald Trump, dos Estados Unidos, na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Os discursos mostram a diferença da visão brasileira, fortalecendo multilateralismo nas relações políticas e econômicas, e da americana, baseada na arrogância e na ideia de todos dependem dos EUA.
Lula defendeu democracia, a soberania, o combate à fome e condenou o genocídio dos palestinos por Israel em Gaza, sendo aplaudido. Trump falou sempre na primeira pessoa (“Eu acabei guerras”, “Eu estudei isso”, “Eu gostei do presidente”, “Eu só negocio com quem eu gosto”).
“Este deveria ser um momento de celebração das Nações Unidas. A ONU simboliza a expressão mais elevada da aspiração pela paz e pela prosperidade. Hoje, contudo, os ideais que inspiraram seus fundadores em São Francisco estão ameaçados, como nunca estiveram em toda a sua história”, afirmou o presidente brasileiro.
ENCRUZILHADA
Segundo Lula, o multilateralismo está diante de nova encruzilhada. “A autoridade desta Organização está em xeque. Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder. Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra”, frisou.
Para o presidente, há uma crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia. “O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades. Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas. Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais, e cerceiam a imprensa”, ponderou.
O BRASIL
Lula destacou a força das instituições e do povo brasileiro, e criticou interferências estrangeiras. “Mesmo sob ataque, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há quarenta anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais. Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade”, enfatizou.
ARROGÂNCIA AMERICANA
Em seu discurso, Donald Trump exaltou os feitos do seu governo e buscou mostrar a supremacia norte-americana sobre os demais países. Disse que encontrou Lula (sem citar o nome) e que gostou dele, mas que o Brasil “vai mal”, revelando desconhecimento dos bons números da nossa economia.
“Eu encontrei o líder do Brasil ao entrar aqui, nós nos abraçamos e eu falei para ele: “dá para acreditar nisso?” Não tivemos muito tempo para falar, tivemos 20 segundos, mas concordamos em conversar na semana que vem. Ele parece um homem muito agradável, eu gosto dele. E ele gosta de mim, eu gosto de fazer negócios com pessoas de quem eu gosto. Se eu não gosto da pessoa, não gosto, mas tivemos ali 30 segundos e uma química excelente”, afirmou Trump,
Ainda criticou as Nações Unidas. “A ONU não só não resolve os problemas que deveria com muita frequência, como também cria novos problemas para nós resolvermos. O melhor exemplo é a principal questão política do nosso tempo: a crise da migração descontrolada. A ONU não está nem perto de todo seu potencial”, disse.
com informações do g1
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