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Nove em cada 10 mulheres já sofreram violência ao se deslocar à noite

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Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Um relatório do Instituto Patrícia Galvão, produzido em parceria com o Instituto Locomotiva e apoio da Uber, mostra que 9 em cada 10 brasileiras já sofreram violência ao se deslocar à noite para atividades de lazer. A maioria das vítimas citam episódios de cunho sexual, incluindo cantadas inconvenientes e importunação e assédio sexuais.

A pesquisa teve como base informações fornecidas através de formulários preenchidos por 1,2 mil entrevistadas com idade entre 18 e 59 anos. Os dados foram coletados no mês de setembro deste ano.

O medo de quase a totalidade (98%) das brasileiras que saem à noite de vivenciar algo semelhante tem base. Conforme demonstra o dado de estupro, as agressões podem piorar dependendo do perfil étnico-racial ou orientação sexual à identidade de gênero feminina.

Cerca de 72% declaram já ter recebido olhares insistentes e flertes indesejados. Entre mulheres na faixa dos 18 aos 34 anos de idade, isso sobe para 78%. As mulheres negras são, em diversos contextos, mais oprimidas.

OUTROS DADOS

>> 34% foram vítimas de assalto, furto e sequestro relâmpago.

>> 24% sofreu discriminação ou preconceito por alguma característica que não a étnico-racial. As mulheres da comunidade LGBTQIAPN+ têm mais frequentemente seus direitos violados: a situação atinge 48% delas.

>> As mulheres ficam mais suscetíveis quando se dirigem de um local a outro a pé (73%) ou de ônibus (53%).

>> É menor a probabilidade de sofrer violência ao utilizar carro particular (18%), carro de aplicativo (18%), metrô (16%), trem (13%), motorista particular (11%), bicicleta (11%), motocicleta de aplicativo (10%) e táxi (9%).

>> O principal critério para a escolha do meio de transporte é: segurança (58%), conforto (12%) e praticidade (10%).

>> 63% das mulheres (66% no grupo de negras) que mantêm o hábito de lazer noturno já desistiram de sair de casa, em virtude da sensação de insegurança.

>> 42% viram algo ser praticado contra outra mulher, sendo que pouco mais da metade (54%) prestou auxílio.

>> 53% optou por voltar para casa depois do episódio e 17% recorreu à polícia (delegacia ou chamando uma viatura até o local da ocorrência). Uma minoria entrou em contato com a Central de Atendimento à Mulher.

AÇÕES DE SEGURANÇA

>> 91% das mulheres procuram avisar a alguém de sua confiança aonde estão indo e a que horas pretendem voltar.

>> 89% evitam transitar por locais desertos/escuros e 89% procuram companhia em trajetos de ida e volta.

>> 78% evitam usar certos tipos de roupas ou acessórios e 58% levam peças de roupa que cubram mais o próprio corpo

com informações da Tribuna da Bahia

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