Na leitura do relatório para justificar o seu voto, o ministro do STF Alexandre de Moares, pediu a condenação de Jair Bolsonaro e demais réus no processo sobre a tentativa de golpe de estado no Brasil. Em sua decisão, ele ressaltou: “tudo aqui mostra que a organização criminosa tentou, até os 45 minutos do segundo tempo, impedir a posse [de Lula]. E ao não conseguir, se organizou”.
O ministro ainda frisou a participação de Bolsonaro. “O dia 8 de janeiro foi a tentativa final de concretizar o que havia sido dito pelo réu Jair Bolsonaro lá atrás”, concluiu. “Bolsonaro exerceu a função de líder da estrutura criminosa e recebeu ampla contribuição de integrantes do governo federal e das Forças Armadas, utilizando-se da estrutura do Estado brasileiro para a implementação de seu projeto autoritário de poder”.
“Nesse julgamento não se discute se houve ou não tentativa de golpe. O que se discute é a autoria. Não há nenhuma dúvida de que houve tentativa de abolição do Estado Democrático de direito. Houve uma tentativa de golpe, houve uma organização criminosa, liderada por Jair Messias Bolsonaro”, afirmou.
PLANO PARA MATAR AUTORIDADES
Durante o voto, Moraes disse que o plano Punhal Verde Amarelo (elaborado para matar Lula, Geraldo Alckmin e o próprio ministro), encontrado pela Polícia Federal com o general Mário Fernandes, foi primeiramente impresso no Palácio do Planalto em 9 de novembro de 2022. No mesmo dia, Fernandes foi até o Palácio da Alvorada, onde estava Bolsonaro.
Moraes fez ironia: “Não é crível, não é razoável achar que Mário Fernandes imprimiu no Palácio do Planalto, se dirigiu ao Palácio da Alvorada, onde estava o presidente, ficou uma hora e seis minutos e fez barquinho de papel com a impressão do Punhal Verde e Amarelo. Isso é ridicularizar a inteligência do tribunal”.
Para o magistrado, existem fartas provas do planejamento que visava executar Lula, Alckmin e ele próprio, com detalhamento inclusive das chances de êxito, efeitos colaterais e armamentos a serem usados.
Nesta terça (9), a Primeira Turma do STF retoma o julgamento que pode condenar Bolsonaro e mais sete aliados por uma trama golpista que teria atuado para reverter o resultado das eleições de 2022.
com informações da Revista Fórum e Agência Brasil
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