Cada novo fato divulgado na crise do Supremo Tribunal Federal (STF) vai revelando as contradições do ministro André Mendonça. Por seis meses (desde 10/03/26), repousava sem qualquer despacho em seu gabinete um requerimento encaminhado pela Polícia Federal (PF).
A PF solicitava que o magistrado determinasse ao Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) o envio integral de um relatório de inteligência financeira com a identidade de uma alta autoridade que vinha sendo contemplada com repasses financeiros procedentes do ecossistema do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Essa solicitação só veio à tona após o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspender o sigilo dos autos que tramitavam de forma reservada. No ofício encaminhado a Mendonça, a PF registrou as razões técnicas que tornavam indispensável a intervenção do relator:
“A cautela do Coaf em não compartilhar automaticamente dados que envolvam autoridades com foro por prerrogativa de função alinha-se ao respeito às regras de competência jurisdicional. Todavia, considerando que a presente investigação criminal já tramita regularmente perante este Supremo Tribunal Federal, o juízo competente para supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a dados sigilosos é, indubitavelmente, Vossa Excelência.”
Mesmo assim, Mendonça manteve o requerimento paralisado. No relatório do Coaf, agora acessível, as tarjas pretas encobrem os beneficiários diretos do foro privilegiado. Mas, o acervo traz tabelas detalhando repasses sistemáticos efetuados por empresas e operadores ligados a Fabiano Zettel, cunhado e apontado como braço financeiro de Vorcaro. Entre as entidades que figuram na malha de transações está a Igreja da Lagoinha Belvedere, fundada por Zettel.
com informações da Revista Fórum
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