Enquanto parte da grande mídia tenta vincular o escândalo do Banco Master a ministros do STF, um novo fato mostra as relações do problema com o governo de Jair Bolsonaro. Na reportagem de Alvaro Gabriel (edição desta quarta, 28, do Estadão), o então presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, blindou o banqueiro Daniel Vorcaro e impediu a liquidação do Banco Master, que só aconteceu em 18 de novembro de 2025, com Gabriel Galípolo.
O jornalista lembra que Campos Neto foi presidente do BC indicado por Paulo Guedes e o então presidente Jair Bolsonaro (PL), e ficou até 31 de dezembro de 2024. A reportagem se baseia em um relatório enviado pelo BC ao ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no Tribunal de Contas da União (TCU). Ele revelou que Campos Neto teria atuado para evitar intervenção ou liquidação do Master em março e em novembro de 2024.
Segundo a reportagem, Campos Neto teria prevaricado para buscar uma solução no “mercado”. Mas, a solução foi tentada por meio do Banco de Brasília, instituição pública do Distrito Federal, comandado pelo bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB). A manobra, que causou prejuízos ao BRB, foi o estopim para liquidação do Master e o desencadeamento das investigações sobre a rede de influência de Vorcaro, preso um dia antes do BC encerrar as atividades de seu banco.
PROTEÇÃO
Um relatório do BC afirma que a “gestão de risco de liquidez” do banco de Vorcaro passou a ser acompanhada no primeiro semestre de 2024. “Nessas circunstâncias, o Banco Central determinou a adoção de providências com vistas a assegurar a liquidez em níveis suficientes e adequados, assim como a apresentação de plano de contingência de liquidez atualizado”, afirma o documento entregue ao TCU.
“Em função da atipicidade das operações, o Banco Central apurou a existência de irregularidades relacionadas a: insuficiência de capital, como resultado de ajustes determinados após se apurar que haviam sido prestadas informações incorretas à Autarquia; inexistência de ativos líquidos na composição de fundo de liquidez que dava amparo às operações estruturadas de longo prazo; e não atendimento de normas relativas ao gerenciamento do risco de crédito, inclusive por depender de informações prestadas por terceiros”, diz o BC, revelando o caos na instituição de Vorcaro.
Os alertas partiram do próprio BC e foram ignorados por Roberto Campos Neto que, em outubro de 2023, já havia editado uma norma alterando a contabilização de precatórios (dívidas judiciais), abrindo brecha para o Master maquiar seu balanço.
Seis meses após deixar o Banco Central (1º de julho de 2025), Campos Neto assumiu os cargos de Vice-Chairman (Vice-Presidente do Conselho) e Chefe Global de Políticas Públicas do Nubank e membro não independente do Conselho de Administração da Nu Holdings. Campos Neto foi procurado pelo Estadão, mas não se pronunciou sobre o caso.
com informações do Estadão
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