Um estudo da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), divulgado nesta segunda (14), analisa os possíveis impactos para a economia baiana com a tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos, anunciada por Donald Trump.
Economistas da SEI sinalizam que isso tornará as exportações baianas menos competitivas no mercado norte-americano. A estimativa é de queda de 643,5 milhões de dólares (redução de 5,4%) no volume total de exportações da Bahia (o total exportado em 2024 foi U$ 11,9 bilhões). Se não haver compensação com outros mercados internacionais, impactaria a cadeia dos setores exportadores, tendo como resultado a redução no PIB do estado da ordem de R$ 1,8 bilhão (-0,38% do PIB baiano).
“A Bahia possui uma pauta comercial diversificada com os Estados Unidos, que figura como um dos principais destinos de suas exportações, atingindo 8,3% do total comercializado internacionalmente pelo estado no primeiro semestre de 2025”, disse o diretor de Indicadores e Estatística da SEI, Armando Castro.
Nosso estado tem a China como principal parceiro comercial desde 2012, mas os Estados Unidos ocupam a terceira posição. Em 2024, a China representou 28,2% das vendas externas do estado, enquanto no primeiro semestre de 2025 esse percentual foi de 23,6%. Já os EUA responderam com 7,4% do destino total das exportações baianas em 2024 e com 8,3% no primeiro semestre de 2025.
SETORES AFETADOS
Os principais setores exportadores para os EUA são: Papel e Celulose com 25,3% de participação, Químicos e Petroquímicos com 23,5%, Borracha e suas Obras (inclui pneus) com 11,8%, Metalúrgicos com 8,2%, Frutas com 8,1%, Cacau e derivados com 7,1% e Petróleo com 5%. Juntos por 89% das exportações da Bahia para os EUA.
A nova tarifação reduzirá, na média, em 13,2% as exportações dos produtos básicos e em 85,7% as exportações dos produtos industrializados. Considerando 2024, o impacto seria de uma redução de 643,5 milhões de dólares nas exportações baianas para os EUA.
O setor com maiores perdas seria o de papel e celulose. Em 2024, a Bahia exportou 223,2 milhões de dólares no segmento que respondeu por 25,3% de participação no total vendido pela Bahia aos EUA. Em seguida, perderia o setor de produtos químicos/petroquímicos, com 177 milhões de dólares, tendo o setor exportado US$ 207 milhões para os EUA. O setor de Borracha, teve vendas de US$ 103,9 milhões (11,8%) em 2024, e cujas perdas estimadas chegariam a US$ 89,3 milhões.
Alimentos, representado pelos segmentos de derivados de cacau, café e frutas, teriam perdas de 77,5 milhões de dólares, considerando as vendas de 156 milhões de dólares. Seguem-se os setores metalúrgico, com perdas de 62,2 milhões de dólares, e o Têxtil, com 18,4 milhões de dólares.
EMPREGOS
O estudo destaca riscos os empregos nos segmentos afetados. Identifica-se um volume de 210 mil pessoas trabalhando nestes setores, o que significa 7,8% do total de empregos formais na Bahia, com base nos dados do Relatório Anual de Informações Anuais (RAIS/MTE). Como principal setor potencialmente afetado, destaca-se a petroquímica, com estoque de 81 mil empregos, com participação de quase 40% do total da pauta exportadora analisada.
com informações do Bahia Econômica
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