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Bolsa Família ajuda reduzir mortes por AIDS entre mulheres pobres

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Foto: Lyon Santos/ MDS

Além de ajudar a diminuir a pobreza no Brasil, o Bolsa Família tem contribuído para reduzir a incidência e a mortalidade por AIDS entre mulheres em situação de vulnerabilidade. É o que aponta um estudo liderado pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com diversas instituições nacionais e internacionais. O trabalho foi publicado na revista Nature Human Behaviour, uma das mais prestigiadas do mundo.

Cerca de 12,3 milhões de mulheres de baixa renda, residentes em 5.565 municípios brasileiros, foram acompanhadas entre 2007 e 2015. Elas foram classificadas em dois grupos: as “filhas”, jovens de 13 a 24 anos, e as “mães”, mulheres com 13 anos ou mais identificadas como responsáveis familiares. Entre as jovens, o Bolsa Família esteve associado a uma redução de 47% na incidência e 55% na mortalidade por AIDS. Entre as mães, as quedas foram de 42% e 43%, respectivamente.

Para a pesquisadora Andréa Ferreira da Silva, uma das autoras do trabalho, programas sociais podem influenciar diretamente a saúde da população. “O Bolsa Família esteve associado a reduções significativas tanto na incidência quanto na mortalidade por AIDS, sobretudo entre as populações mais pobres, pretas/pardas e com múltiplas vulnerabilidades. Isso mostra que políticas sociais podem reduzir desigualdades em saúde”, disse.

ESCOLARIDADE E REGIÕES

Segundo Andréa, a educação atua como catalisador dos resultados. “Mulheres com maior escolaridade conseguem aproveitar melhor os recursos do programa, acessando serviços de saúde, entendendo orientações médicas e aderindo ao tratamento”, explica.

O estudo revelou que mulheres em áreas urbanas apresentaram taxas mais altas de incidência e mortalidade em comparação às rurais. Em ambos os contextos, o impacto do Bolsa Família foi positivo. Entre adolescentes e jovens, a redução foi ainda mais significativa, associada à permanência na escola, ao acesso precoce a informações de prevenção e ao diagnóstico em fases iniciais.

A pesquisadora diz que os resultados podem ser explicados por fatores combinados: melhoria das condições socioeconômicas, maior acesso a serviços de saúde, incentivo à educação e redução da insegurança alimentar. “As condicionalidades do programa, como o acompanhamento de gestantes, vacinação e frequência escolar, tiveram papel central nesse impacto positivo”, explicou.

Para Andréa Ferreira, “é importante continuar e fortalecer programas de transferência de renda para o enfrentamento da epidemia de AIDS e a redução das desigualdades em saúde”.

com informações do Tribuna da Bahia

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