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Análise da sabatina mostra que Flávio Bolsonaro mentiu e enrolou

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Foto: Globo / Manoella Mello

O jornal Estado de São Paulo e o UOL analisaram a sabatina feita pelo Jornal Nacional com candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), na noite desta sexta (28). O Estadão Verifica (núcleo de checagem de fatos) verificou a veracidade das alegações considerando afirmações factuais, como números, datas, comparações de grandeza e outras.

HOMENAGEM A MILICIANO 

Flávio Bolsonaro disse que a homenagem ao miliciando e matador Adriano da Nóbrega foi feita há mais de 20 anos e que não tinha nada contra ele à época.
O UOL Confere analisou e considera enganoso. Adriano da Nóbrega já era investigado quando foi homenageado. Ele foi congratulado por Flávio com a Medalha Tiradentes em 2005. Na época, ele estava preso acusado do assassinato de Leandro dos Santos Silva, um guardador de carro, morto [em 2003] um dia depois de denunciar que havia sido torturado e extorquido por um grupo de policiais comandados por Adriano.

FILME SOBRE JAIR BOLSONARO

Flávio Bolsonaro disse que uma perícia concluiu que não tem um centavo de dinheiro público no filme Dark Horse.

O Estadão Verifica checou e concluiu que falta contexto. Ele foi questionado sobre a falta de prestação de contas sobre os recursos repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e não sobre a existência de dinheiro público no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. O candidato omitiu que o laudo contratado pela GoUp Entertainment, produtora responsável pelo filme, não rastreou a origem dos recursos repassados pelo fundo Havengate Development, dos Estados Unidos, para financiar o longa-metragem [Um dos sócios do fundo é Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro]. A análise é considerada vital pela Polícia Federal para esclarecer se houve desvio no projeto articulado entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.

REUNIÃO ENTRE LULA E VORCARO

Flávio Bolsonaro disse que o presidente Lula recebeu Vorcaro em uma reunião secreta, prometendo ajudar com os problemas do banco.

O Estadão Verifica checou e concluiu que é enganoso. Em dezembro de 2024, Lula teve um encontro com Daniel Vorcaro, que reclamou de uma “perseguição” articulada por grandes bancos. Lula teria respondido que cabia ao Banco Central averiguar isso e que o caso deveria ser tratado de maneira “isenta e técnica” pela autarquia. O mesmo foi noticiado por outros veículos de imprensa. Não há registro, nas reportagens sobre o tema, de que o presidente tenha prometido ajudar a solucionar os problemas do Banco Master.

O site Poder360 publicou detalhes da reunião. Nela, o banqueiro pediu um conselho ao presidente sobre vender ou não o Master ao BTG. Lula teria reclamado do então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato terminaria dias depois, e aconselhado Vorcaro a seguir com o Master. Ele teria lembrado a Vorcaro, também, que em breve a autarquia teria um novo presidente.

Segundo a Folha de S.Paulo, os relatórios do Banco Central sobre o caso deixam claro que o órgão só identificou problemas nas transações de carteiras de crédito feitas entre Master e BRB nos primeiros meses de 2025, após a reunião com Lula. Após a reunião de 2024 vir à tona, o novo presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que Lula foi objetivo ao dizer a Vorcaro que ele seria tratado pelo BC de forma técnica. Lula declarou o mesmo.

TENTATIVA DE GOLPE

Flávio Bolsonaro disse que não houve formação de organização criminosa armada nos ataques do 8 de Janeiro. E que as pessoas presentes não se conheciam e que nenhuma arma foi encontrada.

O Estadão Verifica checou e concluiu que é falso. Após a depredação das sedes dos Três Poderes, o Estadão analisou horas de transmissões ao vivo, listas de passageiros de ônibus, postagens em redes sociais e imagens que comprovam que os atos foram premeditados e organizados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ele também desconsiderou que imagens do circuito de segurança do Palácio do Planalto mostraram envolvidos no ataque roubando armas não letais do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Em operações posteriores ao 8 de Janeiro, a Polícia Federal apreendeu armas de fogo com suspeitos de financiar o movimento golpista.

PIX

Flávio Bolsonaro disse que o Pix foi feito na gestão de Bolsonaro.

O Estadão Verifica checou e concluiu que falta contexto e é falso. O conceito do Pix surgiu em 2016. O sistema começou a ser desenvolvido pela área técnica do Banco Central em 2018, ainda durante o governo Michel Temer.

Como mostrou o Projeto Comprova, quando o Pix começou a funcionar [novembro de 2020], Jair Bolsonaro foi parabenizado por um simpatizante e demonstrou nem saber o que era, ao confundir o sistema com algo relacionado à aviação civil. “Não tomei conhecimento”, admitiu.

O ex-ministro da Economia [do governo Bolsonaro] Paulo Guedes defendeu, em 2020, a taxação de transações digitais [incluindo o Pxi].

CRISE DO CLIMA

Flávio Bolsonaro disse que existem “épocas cíclicas” em que faz mais calor, mais frio ou chove mais. Mas, que isso não tem a ver só com a influência do ser humano.

O Estadão Verifica checou e concluiu que é enganoso e falso. O candidato desconsiderou que existe um consenso científico de que a ação humana causa mudanças climáticas.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), por exemplo, considera que “as atividades humanas, principalmente por meio das emissões de gases de efeito estufa, causaram inequivocamente o aquecimento global”. A Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa) reitera que as evidências científicas mostram que as atividades humanas aqueceram a superfície da Terra e as bacias oceânicas.

com informações do Estadão e g1

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