Neste domingo (8), manifestações no mundo e no Brasil celebram o Dia Internacional da Mulher. Atos em diferentes cidades do país vão marcar a data. Em Salvador, o grande ato acontece na Barra.
Este ano o foco das organizações de mulheres é o fim do feminicídio e da escala 6×1. A garantia do aborto legal, homenagens às vítimas de feminicídio e o combate à violência de gênero também estará em pauta.
CHEGA DE FEMINICÍDIO
O Brasil está entre os países que lideram os casos de feminicídio no mundo, segundo segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas pra os Direitos Humanos (ACNUDH).
Em 2025, o total de vítimas, registrado, chegou a 1.568 mulheres. Isso representa uma alta de 4,7% em relação a 2024, consolidando um aumento contínuo na última década. Aproximadamente, 4 mulheres foram assassinadas por dia em razão de gênero; seis em cada 10 mulheres assassinadas (62,6%) eram negras; cerca de 13% das vítimas em 2025 já tinham medida protetiva de urgência, o que aponta para a necessidade de maior eficácia na proteção.
CHEGA DE ESCALA 6×1
Se a redução da jornada de trabalho (sem redução salarial), é importante para todos, para as mulheres trabalhadoras tem maior impacto ainda, pois são submetidas à dupla e, até, tripla jornada.
Por isso, a luta pelo fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho e um de descanso) ganha centralidade. Vale lembrar que, além do trabalho, existe vida e o direito ao descanso, ao lazer, à cultura e à convivência familiar e social, fundamental para dignidade humana.
O Censo de 2022, do IBGE, mostrou que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e aos cuidados de pessoas. Os homens dedicam 11,7 horas. Entre mulheres pretas e pardas, a carga é ainda maior: 1,6 hora a mais por semana do que entre mulheres brancas. Mesmo quando cumprem jornadas formais de 40 a 44 horas semanais, as trabalhadoras seguem acumulando trabalho não remunerado.
ORÍGEM DA DATA
A data tem origem nas mobilizações de mulheres socialistas no fim do século 19 e no início do século 20. As reivindicações incluíam, naquele momento, o direito ao voto, o reconhecimento de direitos civis e o acesso ao trabalho e ao espaço público.
O 8 de Março homenageia as operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque. Nesse dia, em 1857, elas fizeram uma grande greve para reivindicar melhores condições de trabalho: redução na carga diária de trabalho para 10 horas, equiparação de salários com os homens e tratamento digno no ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência e as trabalhadoras foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram.
Em 1910, uma conferência na Dinamarca decidiu que o 8 de março seria o “Dia Internacional da Mulher”. Mas, só no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
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