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Tarifa zero no transporte pode injetar R$ 45,6 bilhões na economia

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Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Mais do que uma política de mobilidade urbana, a implementação da tarifa zero no transporte público no País pode representar uma poderosa ferramenta de distribuição de renda no Brasil. O estudo foi coordenado pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Observatório das Metrópoles em Brasília.

“Nosso ponto foi pensar a tarifa zero como uma política que também é uma política de distribuição de renda, ou seja, uma distribuição de renda indireta”, explica e afirma que a proposta aliviaria de forma significativa o orçamento das famílias.

O estudo estima que, nas 27 capitais brasileiras e regiões metropolitanas, a adoção da tarifa zero poderia gerar uma injeção de cerca de R$ 45,6 bilhões na economia. “Esse dinheiro deixaria de ser gasto pelas pessoas com transporte e seria direcionado principalmente ao consumo local”, afirmou.

COMBATE DESIGUALDADES

Segundo o professor, a medida ajudaria no enfrentamento das desigualdades sociais e raciais. “Zerar a tarifa significa ampliar o acesso a direitos básicos como trabalho, saúde, educação e lazer. Quando a gente vai olhar o perfil do usuário do transporte coletivo, vê que o ônibus é o modal utilizado majoritariamente pela população negra”, pondera.

Para Trindade, o atual modelo de funcionamento do transporte público limita o direito à cidade. “Se você coloca que o transporte coletivo só funciona até determinado horário, você está dizendo para a população que depende dele que ela não pode se movimentar pela cidade fora daquele horário”, destaca.

FINANCIAMENTO

Quanto ao financiamento dessa política, ele diz que a população já banca o sistema. “O cidadão trabalhador já paga essa conta há muito tempo. Quem usa transporte público paga duas vezes: pelos impostos e pela tarifa”, disse.

Para quem acha que não é viável, a tarifa zero já existe em 145 municípios do Brasil e beneficia mais de 8 milhões de pessoas. Thiago Trindade defende que o debate precisa avançar com participação popular e envolvimento do Congresso Nacional, para se consolidar como política pública nacional.

com informações da Agência Brasil

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